quinta-feira, janeiro 04, 2007
Relatos impessoais de uma memória em transe
que a narrativa da verdade sempre foi volátil.
Perfaz todo o silêncio que se manifesta em vão,
no corpo que esculpiste com a tua sede.
Mantenho-me no céu sem gritar a morte
e espero que as cinzas se transformem em pó.
Sopro o vento que me corta a voz,
vagueio com a distância que em mim se encerra.
Repito o gesto cortante que me faz sofrer,
Invoco a minha esperança que me faz viver.
domingo, outubro 22, 2006
Mad World
All around me are familiar faces
Worn out places, Worn out faces
Bright and early for the daily races
Going nowhere, Going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, No expression
Hide my head I want to drown my sorrows
No tomorrow, No tomorrow
And I find it kind of funny, I find it kind of sad
These dreams in which i'm dying, Are the best I've ever
find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad World, Mad World
Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
And they feel the way that every child should
Sit and listen, Sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, No one knew me
Hello teacher tell me whats my lesson
Look right through me, Look right through me
And I find it kind of funny, I find it kind of sad
The dreams in which i'm dying, Are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles it's a very very
Mad World, Mad World
Enlargen your world
Mad World
Mad World - Gary Jules (Donnie Darko Soundtrack)
terça-feira, outubro 10, 2006
Voltarei atrás...
Quando souber o que me amarra e prende a minha voz
Voltarei atrás quando o teu laço não quebrar jamais
Quando quiseres roubar-me o pensamento e nunca mais…
Voltarei atrás quando conseguir sonhar o meu viver sem acordar
Quando o teu rasto percorrer o meu caminho sem me prender
Voltarei atrás quando o meu corpo dançar ao som da tua canção
Quando nada mais me poder demover da tentação
Voltarei atrás quando os teus pés seguirem os meus passos
Quando a verdade se sobrepuser sobre o cansaço
Voltarei a trás quando experimentares a amargura da solidão
Quando saltar a derradeira escada e não houver mais chão
Voltarei atrás quando os teus olhos forem lágrimas do meu perdão
Quando sentires o derramar do sangue que se esvai em mim
quinta-feira, agosto 24, 2006
Uma estória...
Pela primeira vez tive noção da minha impotência. Senti-me iútil e cansado. Tive a sensação de estar a viver uma vida que não era a minha, mas que o destino (ou lá o que isso é) se tinha encarregado de por no corredor onde eu haveria de passar. Era como se alguém me tivesse colocado uma armadilha e eu não tivesse percebido, agora era tarde de mais para me conseguir soltar.
Naquele instante um turbilhão de ideias, nomes, pessoas, vidas vagueavam na minha cabeça. Aliás, tempo era decididamente o que não me faltava e utilizava-o para pensar. Agora que não tinha tempo para fazer nada, tinha todo o tempo para pensar em tudo. E pudesse eu diminuir esse tempo e minimizar a minha dor… E pudesse eu desligar o meu cérebro e parar o meu coração… Se eu pudesse…
Hoje pedi que me trouxessem um espelho, queria olhar-me e saber se ainda me reconhecia, se o meu corpo ainda era meu. Não me consegui ver na imagem que o espelho reflectia. Lamentavelmente já o esperava. Percebi que não sou mais do que matéria, uma emaranhado de órgãos que teimam em continuar a sua função, envoltos por uma pele seca, rugosa, sem textura e um rosto sem expressão, sem cor.
Nada do que fui e pensei ser é o que sou.
Revolto-me porque nunca imaginei o meu fim como agora se me afigura e sei que nada posso fazer para o alterar, nem mesmo antecipar esse fim que desejo tão intensamente.
Sabia que esperavas pacientemente por aquele dia em que dirias “adeus” a tudo o que te rodeava. Aquele último mês tinha-se tornado demasiado penoso para que pudesses sentir vontade de lutar pelo que quer que fosse. Mas isso não me impediu de desejar que a tua vida se prolongasse por mais e mais tempo. Queria ter-te cá, queria saber que estarias aqui e que podia estar contigo sempre que pudesse. Egoísmo?! Talvez, mas a estima e o amor que sentia por ti não me deixou, nem por um segundo, desejar a tua partida.
Mas o teu desejo concretizou-se e a minha dor exacerbou, como temia.
Sinto-me o nada que sou e agora compreendo-te.
A minha cabeça anda às voltas, completamente perdida, sem rumo. E invariavelmente não consigo pensar em mais nada senão na tua presença (agora ausência). Nada mais me interessa, queria tanto não ter de viver este pesadelo.
Sabia que se pudesses me terias deixado o que eu queria receber, um pedaço de ti. Mas as únicas coisas que me deixaste são materiais e é a essas que agora me agarro para me sentir mais perto de ti.
Olho para o quarto que te acompanhou no último mês e absorvo cada canto, cada mobília e cada objecto que estiveram contigo.
Sento-me na cama. Parece confortável, mas tão fria, que me arrepio.
Reparo que na mesa de cabeceira estão os teu óculos, um livro e uma caneta. Pego no livro. Não chegaste a terminá-lo. Decido lê-lo, como se isso te desse a possibilidade de conhecer o seu fim. Folheio-o e no meio encontro um pedaço de papel com a tua letra. Todo o meu corpo estremeceu. Fecho os olhos e volto a abri-los com toda a força. Respiro fundo para recuperar o fôlego e começo a ler o que escreveste em voz alta, na esperança de ouvir a tua voz, em substituição da minha, dizer o que não tiveste tempo para me dizer:
“Hoje acordei e soube que era a última vez que o fazia.
Apeteceu-me rir, mas só consegui chorar.
Estranhamente senti falta da minha vida e pela primeira vez quis agarrá-la por mais um dia, mais um segundo, por uma eternidade”.
quarta-feira, agosto 23, 2006
Voltei
Obrigada a todos pelos comentários e pela preocupação com a minha "ausência". Após uns dias de férias (poucos) e o regresso ao trabalho e à rotina diária, estou de volta ao meu cantinho...
Algumas aquisições feitas nas férias:






Já falta pouco para completar a minha colecção de filmes do David Lynch! :)
domingo, junho 25, 2006
quarta-feira, junho 21, 2006
Delírios
Delirante por conseguir exprimir o que não sei dizer, vibro e balanceio suspensa numa harpa.
Toco notas musicalmente monótonas, arrepiantes para quem não as consegue entender.
Julgo-me perdida e cansada de infrutuosamente tentar controlar a minha demência.
Tento a todo o custo camuflá-la sob a forma de "diferença", mas sem sucesso.
Meço as consequências da tirania e entrego-me ao esplendor da loucura.
Vagueio atordoada, com passos sombrios que não são meus e piso o teu fado sem querer.
Peço desculpa e continuo.
Para onde?
Porque ?
Para que?
Não sei...
Mas continuo...
segunda-feira, junho 12, 2006
Eternity Part III
So little time
Your crystal eyes gaze into mine
A burning flame
Forever dreaming, dreaming a lie
Caressed by innocence, a sanctuary for your mind
Born alone beneath pale sardonic skies
One love, one life, one sorrow
A condemned man, granted a sweet reprieve
A turn of fate, a genial twist of the knife
Undying affection for life
segunda-feira, maio 29, 2006
Mulher em Branco

Ontem acabei de ler o livro "Mulher em Branco" do Rodrigo Guedes de Carvalho e devo confessar que me deu mesmo prazer enorme ler cada uma daquelas linhas..
É a primeira vez que leio um livro deste escritor (jornalista e argumentista) e estou verdadeiramente surpreendida pela positiva.
Acho que tem um modo distinto de escrever (diria mesmo que próprio), apesar de em determinados aspectos me fazer lembrar António Lobo Antunes (escuso-me a comparações). Adorei a sua maneira de escrever, as palavras que usa, a organização dos capítulos, onde distingue claramente o passado e presente, que denomina por “antes” e o “agora” e nos dois capítulos finais o presente e o futuro, a que chama. “agora e sempre”.
Aconselho a ler! Eu já comecei a ler o “A Casa Quieta”...
Agora deixo-vos com algumas citações para abrir o “apetite”:
“Dentro de ti, ainda que nunca suspeitasses.
Também a terra acaba onde o mar começa.
Entras em poiso firme. Agora esbracejas, liquida.
Em ti, a terra também acaba e o mar começa.
É onde o diabo faz o ninho.”
“Eu consigo voar.
Flutuo por onde me apetece.
Raso picos de montanhas e suspendo-me coberto pela primeira nuvem da noite.
Se quiser, paro.
Rodopio.
Precipito-me da cabeça para baixo, deixo-me ir, abro os braços.
Tenho sempre fome.
Vagueio, procuro.
Nunca encontro.
Sou transparente, já indefinido.
Sou vazio e estranho-me em tudo.”
“Do que recordas eu era cadáver.
E nos buracos mais fundos me buscavas cuidando atrair-me.
Sabendo que me resto imemorial, à deriva em carne fresca, o proibido que negas quando só eu decido.
E me perfumo incessante no sangue dos mártires que convocas.
E me alimento do que me atiras para me matar.”
“O coração é um bicho (…), um dragão, a besta, o falso profeta (…), onde a verdade e a mentira se agridem até à morte”
“Porque o coração é um bicho e não ouve.”
sábado, maio 13, 2006
Talvez nunca tenha aprendido a viver no exterior dessa câmpanula...
Penso que nunca conseguiria respirar oxigénio...
quinta-feira, maio 11, 2006
terça-feira, março 14, 2006
segunda-feira, março 06, 2006
Medo de sofrer...
Procuro desenfreadamente um espaço só meu onde possa aliviar a dor.
Ela é presistente e irremediavelmente forte.
Curvo-me sobre mim mesma e coloco-me na posição fetal na qual estive 9 meses (ou quase), no único sitio onde me senti realmente leve, apartada de dor e sofrimento.
Aqui é tudo tão agressivo: o ar, a luz, o odor, o calor, o frio... a dor!
Mas não posso continuar assim...
Enforco o medo e abraço a coragem... Saio... Sei o que vou encontrar, mas não o posso evitar...
quinta-feira, março 02, 2006
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
O Corvo
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse.
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Manias
- Mania de por dois despertadores para acordar de manha (um junto à cama que toca primeiro para eu saber que ainda tenho mais 5 minutos para dormir e outro longe, para me obrigar a levantar para o desligar e não correr o risco de adormecer). Não é normal pois não?
- Mania de ouvir música com um volume prejudicial à minha saúde auditiva ;)
- Mania de pegar no carro e conduzir por locais que desconheço quando estou chateada
- Mania de ver as televendas quando me deito mais tarde e ler os classificados dos jornais (ou comprar o “Ocasião”) mesmo sabendo à partida que nunca vou comprar nada do que ali está
- Mania de dormir com meias (mesmo quando não está frio)
Agora convoco o Antonior, o Conde, o Burden and Chaos, a Impressão Digital e a Lua de Inverno
As regras:
"Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais.E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento".
Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog."
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Salto ou não?
Mas como sempre o meu carácter decidido (ou quase) não me deixou saltar... Ao invés apeteceu-me correr, correr em cima do muro, desafiar a vida (ou a morte) e correr riscos...
Afinal a vida sem riscos não é uma monotonia?! E se o é porque é que todos nós procuramos essa monotonia, através da tão ansiada "estabilidade".
Cheguei ao fim do muro... Tive sorte (ou azar), não caí!
Vou continuar por aqui e por ali, até quando eu quiser (talvez)...
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Elogio ao Amor
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje, incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor.
É essa beleza.
É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder.
Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Precisa-se de matéria prima para construir um País
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Parabéns (e Obrigada)
presistes, esboças o rosto de cera apercebido no espelho,
no fundo quieto do rio
sorris
o lápis volta a obedecer-te
no rosto abrem-se olhos, flores, águas, cristais, lodos, geometrias, fogos, animais sem nome
que deixas à solta fora do teu corpo, em precária liberdade"

Apetece-me gritar "Obrigada!"
Obrigada por existires,
Obrigada por te teres cruzado no meu caminho,
Obrigada por me teres ajudado a descobrir quem sou, o que quero e para onde vou...
Obrigada por me aceitares como sou, por me ouvires, por me tentares compreender...
Obrigada por me deixares chorar quando preciso, por me fazeres rir quando me apetece rir, por tornares a ninha vida num sonho quando o mundo à minha volta me faz acreditar que estou num inferno...
Obrigada por me roubares deste marasmo e me fazeres sentir feliz...
Obrigada por me teres ensinado a Amar-te!!!
Tudo isto para te dar os Parabéns (pelo teu aniversário) por seres quem és!
Nunca consegui escrever o que penso sobre o amor... É-me díficil expressar sobre esse sentimento e quando tento fazê-lo (raras vezes) saio-me sempre mal...
Nunca consegui escrever o que quero, o que sinto e o que quero que quem leia entenda...
Mas hoje é um dia especial para ti (e para mim porque te amo) e tu mereceste que eu tentasse, apesar de ter a plena convicção que foi uma tentativa falhada.
Por isso, quero que saibas que o que escrevi é irremediavelmente redutor para espelhar o que sinto. Para que entendas isto eleva estas palavras ao expoente máximo da loucura e multiplica-as pela minha vida... Só assim saberás o que sinto por ti...
Apetece-me abraçar-te....




